Fluxo Piroclástico
"Uma corrente de movimento rápido de gás quente e matéria vulcânica que flui ao longo do solo afastando-se de um vulcão a altas velocidades."
Os fluxos piroclásticos, cientificamente referidos como Correntes de Densidade Piroclástica (PDCs), são indiscutivelmente os fenómenos vulcânicos mais devastadores e complexos de todos. São avalanchas que abraçam o solo compostas por cinza quente, pedra-pomes, fragmentos de rocha (tefra) e gás vulcânico que descem as encostas de um vulcão, destruindo quase tudo no seu caminho.
Dinâmica de Fluidos: Fluxo vs. Surge (Onda)
Embora muitas vezes usados indiferentemente, os geólogos distinguem entre dois componentes principais destas correntes com base na concentração de partículas e turbulência:
1. O Fluxo Basal
O núcleo do fenómeno é um fluxo de alta concentração. Esta mistura densa de rocha e gás segue a topografia do terreno, canalizando-se em vales e depressões. Comporta-se de forma semelhante a uma avalanche fluida, moendo ao longo do solo e causando imensa destruição física através do impacto e abrasão.
2. A Onda Piroclástica (Surge)
Acompanhando frequentemente o fluxo basal está uma “onda” (surge) — uma nuvem diluída e turbulenta de cinza e gás que se pode desacoplar do fluxo principal. Ao contrário do fluxo basal, as ondas não estão confinadas pela topografia. Porque são menos densas que o fluxo, podem subir cumes e topos de colinas, afetando áreas que poderiam parecer seguras da avalanche principal. Esta dinâmica torna-as particularmente imprevisíveis e letais.
Velocidade e Propriedades Térmicas
A energia cinética de um fluxo piroclástico é impressionante.
- Velocidade: Viajam tipicamente a velocidades superiores a 80 km/h, mas podem atingir velocidades superiores a 700 km/h dependendo da inclinação da encosta e do volume de material.
- Temperatura: A temperatura interna do fluxo varia geralmente entre 200°C e 700°C. Este calor extremo pode carbonizar madeira instantaneamente e causar a morte por choque térmico ou asfixia antes mesmo de ocorrer o impacto físico.
Mecanismos de Formação
Os fluxos piroclásticos não são uniformes na sua génese; surgem de eventos vulcânicos específicos:
- Colapso de Coluna: A causa mais comum (tipo soufrière). Uma coluna de erupção torna-se demasiado densa e pesada para ser suportada pelo impulso do gás, colapsando de volta sobre os flancos do vulcão.
- Colapso de Domo: Um domo de lava em crescimento torna-se instável devido à gravidade ou pressão interna do gás, desmoronando-se numa avalanche quente (tipo Merapi).
- Explosão Lateral: Uma explosão lateral, como vista no Monte St. Helens em 1980, dirigindo o fluxo horizontalmente em vez de verticalmente.
Interação com a Água
Quando um fluxo piroclástico encontra um corpo de água, não se extingue simplesmente.
- Explosões de Vapor: A água transforma-se instantaneamente em vapor, causando potencialmente explosões freáticas secundárias.
- Tsunamis: A massa do fluxo que desloca a água pode desencadear tsunamis vulcânicos massivos, como visto durante a erupção de Krakatoa em 1883.
- Jangadas: Os componentes mais leves do fluxo (pedra-pomes) podem flutuar, criando vastas jangadas de rocha fumegante na superfície do oceano.
O Registo Geológico: Ignimbritos
Quando um fluxo piroclástico para, deixa para trás um depósito conhecido como ignimbrito. Estes depósitos podem variar desde cinza solta e não consolidada até rocha sólida se o material estava suficientemente quente para se fundir (soldar) ao assentar. Os geólogos estudam estas camadas de ignimbrito para mapear a história de antigas supererupções, uma vez que cobrem frequentemente milhares de quilómetros quadrados. Os padrões de soldadura específicos na rocha podem revelar a temperatura e a espessura do fluxo original.