Turismo Vulcânico: 10 Montanhas de Fogo a Visitar
Para muitos viajantes, ver um vulcão de perto é uma experiência de vida. Há algo de primitivo e profundamente humilhante em estar à beira de uma cratera, sentindo o calor da Terra sob os seus pés e cheirando o enxofre que sugere o magma a agitar-se lá em baixo. Desde lagos de lava brilhantes a picos perfeitos cobertos de neve, estes gigantes geológicos oferecem algumas das vistas mais espetaculares da Terra.
O “turismo vulcânico” ou “geoturismo” explodiu em popularidade nas últimas décadas. Atrai aventureiros, fotógrafos e entusiastas da ciência. Mas visitar um vulcão não é como visitar um museu ou uma praia. Estas são paisagens dinâmicas e vivas que exigem respeito e preparação. Quer procure uma escalada rigorosa, um passeio panorâmico ou a oportunidade de ver lava ativa, o mundo está cheio de destinos ardentes.
Aqui está um guia expandido para 10 vulcões de visita obrigatória para a sua próxima aventura, completo com dicas de viagem e contexto geológico.
1. Monte Fuji, Japão: O Cone Sagrado
- Localização: Ilha de Honshu, Japão
- Tipo: Estratovulcão
- Estado: Ativo (última erupção em 1707)
O símbolo icónico do Japão, o Monte Fuji (Fujisan) é mundialmente famoso pelo seu cone simétrico quase perfeito. Elevando-se a 3.776 metros acima do nível do mar, ergue-se em grandeza solitária, frequentemente coberto de neve. Para os japoneses, Fuji é uma montanha sagrada, um local de peregrinação que inspirou arte e poesia durante séculos.
A Experiência: A época oficial de escalada decorre do início de julho ao início de setembro. Durante este período, a montanha está livre de neve e os abrigos de montanha estão abertos. A atividade mais popular é subir ao cume para ver o Goraiko (nascer do sol). Isto envolve tipicamente começar a subida à noite, caminhando numa linha de lanternas de cabeça que parece um rio de luz a fluir montanha acima.
- Dificuldade: Moderada a Extenuante. Não é uma escalada técnica, mas a altitude e a extensão podem ser esgotantes.
- O que ver: O nascer do sol do cume é espiritualmente comovente. Num dia claro, pode ver-se até Tóquio.
- Dica: Se preferir não caminhar, as vistas da região dos Cinco Lagos de Fuji (como o Lago Kawaguchiko) oferecem a perspetiva clássica de “postal” da montanha a refletir-se na água.
2. Monte Etna, Itália: O Farol do Mediterrâneo
- Localização: Sicília, Itália
- Tipo: Estratovulcão
- Estado: Altamente Ativo
O vulcão mais alto e ativo da Europa, o Monte Etna, é um local Património Mundial da UNESCO que domina a costa leste da Sicília. Ao contrário do Fuji, o Etna está num estado de atividade quase constante. É complexo, com múltiplas crateras e uma história de erupções que remonta a 500.000 anos.
A Experiência: O Etna é notavelmente acessível. Pode conduzir até ao Refúgio Sapienza a 1.900 metros. A partir daí, um teleférico e depois autocarros 4x4 todo-o-terreno levam-no até à área da “Torre del Filosofo” a cerca de 2.900 metros (dependendo da atividade vulcânica atual).
- A paisagem: Muda constantemente. Caminhará através de campos de lava negra e crocante, verá fumarolas fumegantes e frequentemente testemunhará pequenas explosões ou nuvens de cinza das crateras do cume.
- Inverno: O Etna é um dos poucos lugares no mundo onde pode esquiar com vista para o mar — e potencialmente uma cratera fumegante acima de si.
- Cultura Local: O solo vulcânico fértil produz vinho excecional. Uma visita a uma vinha local nas encostas do Etna é obrigatória para os apreciadores de comida.
3. Kīlauea, Havai, EUA: A Casa de Pele
- Localização: Ilha Grande, Havai
- Tipo: Vulcão em Escudo
- Estado: Altamente Ativo
Localizado no Parque Nacional de Vulcões do Havai, o Kīlauea é lendário. Durante décadas, foi conhecido pelas suas erupções efusivas contínuas, onde lava basáltica fluida corria suavemente (mas destrutivamente) em direção ao oceano. É a casa tradicional de Pele, a deusa havaiana do fogo.
A Experiência: O Kīlauea oferece um tipo diferente de turismo vulcânico. Em vez de um pico cónico íngreme, está a explorar um vulcão em escudo massivo. A caldeira do cume, Halemaʻumaʻu, sofreu mudanças massivas desde a erupção de 2018.
- Crater Rim Drive: Esta rota leva-o através de respiradouros de vapor, bancos de enxofre e miradouros para a vasta caldeira.
- Observação de Lava: Quando o vulcão está em erupção, o serviço do parque designa áreas de observação onde pode ver o brilho do lago de lava à noite. É hipnotizante ver a rocha derretida agitar-se e quebrar como um oceano de fogo.
- Tubo de Lava Thurston (Nāhuku): Caminhe através de um tubo maciço criado por um antigo rio de lava. É como entrar nas veias da ilha.
4. Monte Bromo, Indonésia: A Lua na Terra
- Localização: Java Oriental, Indonésia
- Tipo: Vulcão Somma
- Estado: Ativo
Um nascer do sol no Monte Bromo é amplamente considerado uma das vistas mais bonitas da Ásia, se não do mundo. O Bromo situa-se dentro da enorme Caldeira Tengger, rodeado pelo “Mar de Areia” (Lautan Pasir), uma vasta planície de cinza vulcânica fina.
A Experiência: A maioria das excursões começa às 3:00 da manhã. Apanha-se um jipe para um miradouro no Monte Penanjakan para ver o sol nascer sobre a caldeira. Quando a luz atinge, vê três vulcões: o Bromo (fumegante), o Batok (extinto e estriado) e o massivo Semeru (o mais alto de Java) a expelir cinzas no fundo.
- A Escalada: Após o nascer do sol, desce para o Mar de Areia. Pode caminhar ou andar a cavalo até à base do Bromo, depois subir um lance íngreme de 250 degraus de betão até à borda da cratera.
- O Som: Olhando para a cratera, pode frequentemente ouvir o vulcão a rugir como um motor a jato. O cheiro a enxofre é intenso, por isso recomenda-se uma máscara.
5. Pacaya, Guatemala: Assar Marshmallows na Lava
- Localização: Perto de Antigua, Guatemala
- Tipo: Vulcão Complexo
- Estado: Ativo
O Pacaya é uma das viagens de um dia mais populares para viajantes na Guatemala. A sua proximidade com a cidade colonial de Antigua e a sua atividade frequente e relativamente segura tornam-no um favorito para o turismo de “aventura leve”.
A Experiência: A caminhada é moderadamente íngreme mas curta (cerca de 1,5 - 2 horas a subir). O trilho leva-o através de florestas e terras agrícolas antes de emergir nos campos de lava escuros e estéreis perto do cume (o acesso ao Cone McKenney real é geralmente restrito por segurança).
- Rochas Quentes: Dependendo da atividade recente, pode ver rios de lava vermelha a fluir. Mesmo que não haja fluxo superficial, as rochas estão frequentemente quentes o suficiente para assar marshmallows — um ritual turístico clássico no Pacaya.
- Pizza Pacaya: Há até um guia local famoso que coze pizzas nas aberturas vulcânicas quentes!
6. Monte Arenal, Costa Rica: O Gigante Adormecido
- Localização: Província de Alajuela, Costa Rica
- Tipo: Estratovulcão
- Estado: Adormecido (Fase de repouso desde 2010)
Durante décadas, o Arenal foi o garoto-propaganda dos vulcões ativos, deliciando turistas com espetáculos noturnos de lava. Desde 2010, entrou numa fase de repouso. Não há mais rochas brilhantes a cair pela encosta, mas o vulcão permanece uma presença majestosa.
A Experiência: A falta de lava não diminuiu o apelo da área. A região em redor do Arenal é a capital da aventura da Costa Rica.
- Águas Termais: O calor geotérmico que alimenta o vulcão também aquece dezenas de rios. Os resorts variam de spas de luxo a locais públicos gratuitos no rio (como o Rio Chollin).
- Floresta Tropical: O solo vulcânico suporta florestas tropicais exuberantes. Caminhar pelos trilhos na base (Trilho Arenal 1968) leva-o sobre antigos fluxos de lava que estão lentamente a ser reclamados pela natureza. Pode ver orquídeas, tucanos e macacos com o cone perfeito do Arenal a pairar acima.
7. Monte Santa Helena, EUA: Laboratório da Natureza
- Localização: Estado de Washington, EUA
- Tipo: Estratovulcão
- Estado: Ativo
Famoso pela sua erupção cataclísmica em 18 de maio de 1980, o Monte Santa Helena oferece uma lição sóbria sobre o poder da natureza. A erupção rebentou 400 metros do cume e arrasou 600 quilómetros quadrados de floresta em minutos.
A Experiência: Hoje, Santa Helena é um Monumento Vulcânico Nacional. É um lugar de beleza austera e descoberta científica.
- Observatório Johnston Ridge: Localizado diretamente na zona de explosão, este centro de visitantes oferece uma vista direta para a enorme cratera em forma de ferradura e para a nova cúpula de lava a crescer no seu interior.
- Recuperação Ecológica: O aspeto mais fascinante é ver como a vida regressa. Pode ver campos de flores silvestres (tremoceiro da pradaria) e jovens amieiros a crescer onde outrora havia apenas cinza cinzenta.
- Ape Caves: A sul do vulcão, pode explorar o terceiro tubo de lava mais longo da América do Norte, um contraste escuro e frio com a zona de explosão banhada pelo sol.
8. Teide, Espanha: O Teto de Espanha
- Localização: Tenerife, Ilhas Canárias
- Tipo: Estratovulcão
- Estado: Ativo (Adormecido)
Elevando-se a 3.718 metros do Oceano Atlântico, o Monte Teide é o pico mais alto de Espanha. Situa-se no centro de uma caldeira antiga massiva chamada Las Cañadas, que se parece notavelmente com a superfície de Marte.
A Experiência: O Parque Nacional do Teide é o parque nacional mais visitado da Europa.
- O Teleférico: Um teleférico (Teleférico) transporta os visitantes de 2.356 m para 3.555 m em apenas 8 minutos. As vistas sobre as Ilhas Canárias são de tirar o fôlego.
- O Cume: Para subir os 200 metros finais até ao topo, precisa de uma licença especial (gratuita) reservada com meses de antecedência. O cume cheira a enxofre, lembrando-lhe que este gigante está apenas a dormir.
- Observação de Estrelas: A alta altitude e a falta de poluição luminosa tornam o Teide um dos melhores lugares do mundo para astronomia. Passeios noturnos para ver a Via Láctea são incrivelmente populares.
9. Eyjafjallajökull, Islândia: O Perturbador da Aviação
- Localização: Sul da Islândia
- Tipo: Estratovulcão (subglaciar)
- Estado: Ativo
Este é o vulcão que ninguém conseguia pronunciar mas todos conheciam em 2010, quando a sua nuvem de cinzas imobilizou voos em toda a Europa durante semanas. O seu nome traduz-se como “Glaciar da Montanha da Ilha”, descrevendo a sua localização sob uma calota de gelo.
A Experiência: Não se pode “escalar” facilmente até à cratera no sentido tradicional devido ao glaciar, mas a área circundante é um testemunho da interação de fogo e gelo.
- Passeios de Super Jipe: A melhor maneira de explorar é de “Super Jipe” — 4x4s modificados com pneus maciços que podem conduzir até à língua do glaciar Gígjökull. Pode ver o caminho que as inundações de água de degelo (jökulhlaup) tomaram durante a erupção.
- Caminhada Fimmvörðuháls: Para caminhantes sérios, este trilho passa entre Eyjafjallajökull e Mýrdalsjökull. Leva-o diretamente pelas crateras Magni e Móði formadas na erupção de 2010, onde o solo ainda está quente.
10. Cotopaxi, Equador: O Cone Perfeito
- Localização: Montanhas dos Andes, Equador
- Tipo: Estratovulcão
- Estado: Ativo
O Cotopaxi é um dos vulcões ativos mais altos do mundo (5.897 metros). É famoso pela sua forma cónica clássica e pela sua calota de neve “eterna” — embora as alterações climáticas estejam a ameaçar os seus glaciares.
A Experiência: Localizado a sul de Quito, o Cotopaxi domina a paisagem.
- O Parque Nacional: O paramo circundante (pradaria de alta altitude) é o lar de cavalos selvagens, lamas e condores andinos. É uma paisagem austera, ventosa e bela.
- Refúgio José Rivas: Muitos turistas conduzem até ao parque de estacionamento a 4.600 m e sobem a encosta íngreme e arenosa até ao refúgio a 4.864 m. É uma curta distância, mas a essa altitude, cada passo é uma luta. É um ótimo teste à sua forma física e aclimatação.
- Escalada: Atingir o cume requer equipamento técnico de escalada no gelo, um guia e um início à meia-noite. É um objetivo sério de montanhismo.
Segurança e Ética no Turismo Vulcânico
Visitar vulcões é emocionante, mas acarreta riscos inerentes. Eis como se manter seguro e respeitoso:
1. Os Perigos “Invisíveis”
A maioria das pessoas teme a lava, mas os verdadeiros assassinos são frequentemente invisíveis.
- Gases Vulcânicos: Gases como dióxido de enxofre e dióxido de carbono podem ser mortais. O CO2 é mais pesado que o ar e pode acumular-se em áreas baixas. Se sentir tonturas ou cheirar a ovos podres (enxofre), mova-se imediatamente para terreno mais alto ou contra o vento.
- Queimaduras de Vapor: O solo que parece sólido pode ser uma crosta fina sobre lama a ferver ou vapor. Mantenha-se nos trilhos marcados.
2. Respeite as Zonas
As autoridades mapeiam “Zonas Vermelhas” ou zonas de exclusão com base em dados científicos.
- Nunca ultrapasse uma barreira. Se um trilho está fechado, é por uma razão (instabilidade, gás ou erupção iminente).
- Ouça os guias. Os guias locais conhecem os humores da montanha. Se eles disserem para voltar para trás, volte.
3. Respeito Cultural
Para muitas culturas, os vulcões são sagrados.
- Havai: Remover rochas de lava é considerado desrespeitoso para com Pele (e dá má sorte).
- Indonésia: Oferendas são frequentemente colocadas nas bordas das crateras. Não as perturbe.
- Japão: Fuji é um santuário. Trate o cume com a mesma reverência que trataria um templo.
4. Preparação
Os vulcões criam o seu próprio clima.
- Vista-se em camadas. Pode estar tropical na base e abaixo de zero no cume.
- Calçado: A rocha vulcânica (escória) é afiada e instável. Botas de caminhada robustas são essenciais.
- Água: A alta altitude e o calor aceleram a desidratação. Leve mais água do que pensa que precisa.